OS 2 PILARES DA CRIAÇÃO

PARIS DE MES EXILS

Publicado em Cinema, Lugares, Vídeo by casoual em Maio 18th, 2008

Projection du film, PARIS DE MES EXILS, le 21 mai 2008 à 19h45 à la SCAM, 5 avenue Vélasquez, 75008

PARIS DE MES EXILS

2008, 45mn, vidéo, de RINA SHERMAN (merci, Rina!)

Dans ce film, j’explore ce que j’ai vu en revenant à Paris d’un séjour de sept années avec les Ovahimba de Namibie.

A l’étonnement et au désarroi d’un tel retour, s’est rajoutée la disparition de trois grands amis, Jean Rouch, mentor et copain, Didier Contant, grand reporter et âme s¦ur, le Chef d’Etanga, père de ma vie.

Je renoue avec Paris, la ville où je me suis exilée de mon Afrique du Sud natal en 1984, en revisitant mes coins familiers d’autrefois, dont des moments passés avec l’ami Jean, tout en découvrant des endroits jusqu’alors inconnus.

Cette période fut également marquée par le nécessaire rétablissement de l’honneur et de la dignité du journaliste Didier Contant, mort lors de sa dernière enquête sur l’assassinat des Moines de Tibhirine. Je montre l’évolution lente et difficile de ce processus qui m’a amené à publier un livre, « Le huitième mort de Tibhirine », puis à me rendre en Afrique du Nord - à Alger et au Monastère de Tibhirine - pour la première fois.

Ce fut un temps où retour et deuil se sont inextricablement mélangés, un temps où je pensais constamment à mes amis Ovahimba, que je voyais chaque jour évoluer sur l’écran pendant que je montais des films sur mon séjour chez eux.

Entre des périodes de tournage à Paris, je me déplaçais à Alger, Cape Town, Etanga (Namibie) où je filmais, et, la grande boucle de l’exil, commencé en 1984, s’est finalement clos un matin en surplombant la baie d’Alger, d’où je m’imaginais un axe reliant Paris, Cape Town et l’Afrique du Nord.

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Aimé Césaire - 1913-2008

Publicado em História, Literatura by casoual em Maio 13th, 2008

Et elle est debout la négraille
la négraille assise
debout dans la cale
debout dans les cabines
debout sur le pont
debout dans le vent
debout sous le soleil
debout dans le sang
debout et libre
debout non point folle dans sa liberté et son dénuement
maritimes girant à la dérive parfaite et la voici :
plus inattendument debout
debout dans les cordages
debout à la barre
debout à la boussole
debout à la carte
debout sous les étoiles
debout et libre
et le navire va s’avancer impavide sur les eaux
écroulées. (Le Cahier 61-62)

«On ne naît pas Noir, on le devient.»

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Jill Dias - 1944-2008

Publicado em Diversos, História by casoual em Maio 2nd, 2008

Uma investigadora e uma referência incontroversível da história de África e de Angola nos séculos XVIII e XIX. Com uma vasta obra, de que pode ler-se, em termos mais acessíveis, em O Império Africano,

coord. de Valentim Alexandre, «Relações portuguesas com as sociedades africanas em Angola no século XIX».

Outra referência fundamental, menos acessível, foi a Revista Internacional de Estudos Africanos, que criou.  África e Angola estão mais pobres. Permanece a sua obra.

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Mercados - V

Publicado em Fotografia, Lugares by casoual em Abril 28th, 2008

Imagem: Mercado de S. Tomé e Príncipe, 2007, de James Roberto Silva, a quem agradeço encarecidamente

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Subsídios para uma história de Angola - XVI

Publicado em Fotografia, História by casoual em Março 16th, 2008

A ler, no blogue da Associação Portuguesa de Photographia:

Primeiros fotógrafos em Luanda

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Imagem: SANTA BARBARA, António Joaquim de, ca 1838-1864
Babolla princeza da Huilla [Visual gráfico / retratado do vivo pelo Doutor Clemente Bizarro ; S tª Barbara lith.. - [Lisboa? : s.n., 1845] (Lx.ª : : Lith. de M.L. da C. tª). - 1 gravura : litografia (Biblioteca Nacional)

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Subsídios para uma história de Angola - XV

Publicado em História, Política, Religião by casoual em Março 7th, 2008

II - In memoriam

Excertos da entrevista de Joaquim Pinto de Andrade para Angola: Depoimentos para a História Recente

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«[...] - Naquela altura, qual era o relacionamento entre os padres angolanos e portugueses?
- Era um relacionamento um tanto tenso, bastante tenso com alguns deles; com outros era mais ou menos calmo, mas com alguns era bastante tenso, porque havia padres com atitudes mesmo racistas, com atitudes colonialistas muito fortes e com os quais nós não nos podíamos dar. [...] Eu achava que, por um lado, devia manter a minha fé cristã, que mantenho ainda hoje, e em nome dela continuar a lutar pela liberdade do meu país e do meu povo. Na carta que escrevi ao Papa, eu, precisamente, dizia isso: que não estava de acordo com atitudes da Igreja no seu conjunto, embora o meu próprio bispo fosse uma pessoa admirável nesse ponto; que o Vaticano - eu disse isto ao próprio Papa, em carta que eu escrevi ao Papa Paulo VI - o próprio Vaticano tinha uma atitude dúbia [...] por exemplo, abençoava e apoiava a independência dos povos africanos [...] mas quando se falava da independência de Angola, não havia uma única palavra de apoio à independência de Angola.
- Porquê essa atitude do Papa?
- Sabe que tem uma razão histórica. Portugal foi, por assim dizer, nação pioneira na evangelização, pelo menos ao sul do Sara [...] Portugal tinha um título de nação fidelíssima [...] a certa altura da História, houve um convénio entre Portugal e a Santa Sé, que é o famoso Padroado Português, especialmente para o Oriente, quer dizer, as terras registadas pelos portugueses tinham um regime jurídico-católico diferente. [...] Quando vem a República, repudia o tal padroado português [...] mas quando o Salazar sobe ao poder, restabelece, outra vez, certos gestos do padroado, faz-se então o acordo missionário, segundo o qual Portugal continuava, mesmo depois de eliminado o padroado português, continuava com certas prerrogativas nas missões dos seus territórios coloniais. Assim, por exemplo, o Papa não tinha o direito de nomear à sua vontade um bispo para as dioceses dos territórios ocupados colonialmente pelos portugueses. Portugal tinha direito a apresentar três candidatos, entre os quais o Papa escolhia um. Claro está, assim, nunca mais haveria um bispo negro, um bispo africano [...]. pp. 85-86.

Imagem: Sé de Luanda, Angola

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Subsídios para uma história de Angola - XV

Publicado em História, Política, Religião by casoual em Fevereiro 28th, 2008

I - In memoriam

Excertos da entrevista de Joaquim Pinto de Andrade para Angola: Depoimentos para a História Recente

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« - Então, o senhor doutor acredita que a Igreja também é uma das grandes culpadas da colonização?» [Como se sabe, Joaquim Pinto de Andrade foi padre até 1970, altura em que pediu a sua redução ao estado laico, estava ele preso na cadeia de Peniche após um período de 14 anos ora preso ora com residência vigiada.]
«- A colonização não tem só aspectos negativos. Há que reconhecer que também tem aspectos positivos. Não que a colonização em si fosse um bem tal qual ele existiu historicamente, mas teve os seus efeitos também benéficos: esta língua que nos une, por exemplo, veio-nos da colonização.
- Está a aceitar que a Igreja também foi uma das grandes culpadas da colonização?
- Com certeza que foi. A Igreja como qualquer obra humana tem as suas luzes e as suas sombras em determinadas épocas [...] E quanto à escravatura, em princípio, não há no Evangelho nada que justifique a escravatura [...] Mas também devemos reconhecer que houve padres, que houve bispos que se opuseram à escravatura. [...] figuras como o padre Anchieta no Brasil, o padre António Vieira, que, por sinal, era descendente de uma escrava africana de Angola. [...] Mas, de um modo geral, temos que aceitar que a colonização aqui, e nos seus aspectos negativos, dum modo geral, foi seguida quase pacificamente pela Igreja.
- Gostava que o doutor falasse dessas duas alas dentro da Igreja, principalmente aqui em Angola. Como é que era o relacionamento entre os bispos e padres que eram favoráveis ao colonialismo e aqueles que eram favoráveis à independência de Angola?
- [...] É interessante dizer aqui uma coisa que eu disse na PIDE, quando fui preso. [...] dizia, em suma, isto: a independência está para um país, como a liberdade para o indivíduo; eu entendo que tirar a liberdade a um indivíduo é anti-humano e antievangélico [...] por conseguinte, eu, mesmo em nome do Evangelho, devia lutar pela libertação do meu país. Citava, inclusive, textos de Papas, Pio XII, João XXIII [...]
Havia já em mim um grande conflito com muitos dos meus pares [...] Não com o bispo com quem eu trabalhava [...] eu era chanceler da diocese, era o braço direito do bispo de então, o Monsenhor D. Moisés Alves de Pinho, é curioso que este homem que era português tinha uma visão verdadeiramente profética da História e tinha uma visão humana e cristã muito grande. Este homem sabia das minhas opções pela independência, sabia das minhas reuniões clandestinas com independentistas, com patriotas angolanos, e ele só me dizia: tem cuidado, não te exponhas demasiado, porque a PIDE está aí atenta. [...] Está a ver, um bispo português colaborava comigo [...]» pp. 84-85

(continua)

Imagem: Luanda, Azulejos da Fortaleza

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Duas Perdas no Nacionalismo Angolano

Publicado em História, Política by casoual em Fevereiro 26th, 2008

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Depois do trespasse, em Novembro de 2007, de Fernando Castro Paiva, faleceram no passado dia 23 de Fevereiro mais duas grandes personalidades do nacionalismo angolano, Joaquim Pinto de Andrade e Gentil Ferreira Viana. Conhecidos e reconhecidos pela sua grande cultura, o seu empenho político e humano por uma Angola plural, foram dois dos protagonistas do movimento Revolta Activa, consubstanciado no apelo de 19 intelectuais lançado em Brazzaville a 11 de Maio de 1974, chamado documento dos «Dezanove». Perderam-se dois vultos da grande «comunidade de homens da mesma fala», no dizer de Gentil Viana.

Imagem: os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade no Seminário de Luanda, 1940

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Ambiances du Sahara - Desert Blues 1

Publicado em Música e dança by casoual em Fevereiro 18th, 2008

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Da Núbia, Sudão, Hamza el Din

Hamza el Din plays the tar realmedia
Hamza el Din plays the Ud realmedia

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Ogros

Publicado em Artes, Literatura, Lugares by casoual em Fevereiro 11th, 2008

Viagem ao mundo fantástico dos ogros angolanos

(transcrevo c/a devida vénia)

Américo Correia de Oliveira*

“Criadores de chefias, assimiladores de culturas, formadores de exércitos com jovens de outras populações que iam integrando na sua caminhada, parecem apenas uma ideia errante, cazumbi [espírito] antecipado da nacionalidade.” (Pepetela[1])

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Em boa hora, Mário Tendinha decidiu recriar pictoricamente[2] o mundo dos ogros (monstros predominantemente antropófagos) da tradição oral angolana. Fê-lo, numa primeira fase, com algumas telas, nunca expostas. Agora, vai realizar uma obra, em grande, para ser exposta na sua terra natal (Namibe) e em Luanda. Concedeu-nos a honra, − mas sobretudo às imensas e ricas estórias angolanas de ogros − de, a partir da nossa recolha[3], recriar esteticamente o universo fantástico dos ogros angolanos.

Pediu-nos um pequeno texto explicativo. Ei-lo:

Iniciar uma viagem ao mundo dos ogros, referenciados nas narrativas tradicionais angolanas, é realizar um percurso iniciático, porque propiciador de um mergulho nas profundezas da “mãe-terra” (a grande ogra), útero originário, de um “regresso às origens”, à “caverna da grande máscara do primeiro antepassado”. Comportando o risco de uma desintegração no caos primevo, é, porém, condição imprescindível para o renascimento cultural, porque constitui lugar único de confrontação/superação de fantasmas, individuais e colectivos, factores do crescimento e maturação.

A sugestiva riqueza desta temática, suscitando lembranças do nosso primeiro imaginário (do “homem do saco”, papão português, cu(o)ca/papa-gente brasileira; do “di/makishi” angolano aos ogros de todo o mundo), não deixa de representar uma matéria complexa, mas permanentemente lúdica, jocosa e educativa: – “Provavelmente, o homem só produz monstros por uma única razão: poder pensar a sua própria humanidade.”[4]
O ogro, assumindo designações diversas, perpetua-se como personagem em que se continua a investir, no domínio da tradição oral, da escrita e dos multimédia[5], talvez, porque, no plano simbólico, continue a assegurar um “jogo opositivo” entre o idêntico e o diferente, o eu/nós e o outro(s), uma eterna “viagem” iniciática: o ser humano para encontrar/manter a sua identidade necessita de outrar-se (devoramento), num permanente “vai e vem”, de faz-de-conta, entre o saudoso “útero materno” (a mesmidade) e a infernal “bocarra ogresca” (a alteridade).

Será possível, de modo sucinto, delinear o figurino do ogro angolano?

É “alma do outro mundo” para os Cabindas, kúiu (fantasma) para os Bakongo, tshingandangari (fantasma-caçador) para os Tucokwe, “kisi” (monstro antropófago) para os Ambundu, Ovangangela, Ovanyaneka, Ovimbundu, Ovahelelo e Ambo.

O ogro é pai e tirano, mãe e madrasta, feiticeiro e curandeiro, guardião de locais sagrados e “fiscal” nas encruzilhadas, fautor de miséria/morte e fonte de riqueza/vida… é kazumbi, espírito dos antepassados, que se metamorfoseia em pessoa, animal, ou outra coisa qualquer, porque senhor da vida e da morte, liberto da efemeridade terrena…

Viaja pelas florestas do Norte, atravessa todo o Litoral (sub)urbano, para regressar às chanas do Leste, percorrer o planalto Central e o desértico Sul… é rei do fundo dos lagos, senhor dos rios e dos mares…

… e não dizem que é kianda -sereia do Mussulo, fazendo amor entre os rios (se o Kwanza nos contasse!) e o Oceano, acalentando no seu colo a bela Luanda?

O ogro é, de facto, cazumbi condenado a viver longe e perto dos seus, com o amor e o ódio de que só os “génios” são capazes.

Ninguém lhe consegue fugir, porque seduz na proporção da sua fatalidade.

E o destino pertence, algures, a(os) deus(es), em Angola, aos antepassados…

Estaríamos, de novo, de volta à matriz, ao antepassado, ao sagrado, de multíplices hierofanias. Neste nó, convergiriam os vectores semânticos dos étimos kixi[6] e monstro[7]: o ogro como ser lúdico (espectáculo só para “viajantes”) e iniciático (itinerário de aprendizagem), enfim a desmesura da nossa perdição e a medida da nossa contenção, fronteira de todos os excessos e de todos os constrangimentos.

Como os filósofos gregos, para quem a viagem era a procura da sabedoria[8], o povo angolano, gerador de ogros de todas as espécies, atravessou florestas, savanas e desertos, cruzou rios, lagos e oceanos, misturou, com amor e raiva, o seu sangue com o de povos tão diferentes e aprendeu, no seu deambular contínuo: - que há monstros bons e maus, dentro e fora de si; que tem de exterminar uns e conservar outros; e que o monstro presente só se vence com auxílio do monstro, passado e futuro…

[1] Pepetela, “Entrevista”, in Jornal de Letras, 1990.10.02, p. 7.

[2] Veja-se o texto dramático, elaborado a partir duma narrativa tradicional angolana, de J. Mena Abrantes, Mandyala ou a tirania dos monstros, (Luanda, UEA, 1992), tendo como tema um herói (“Ndala”), defrontador de ogros.

[3] Oliveira, Américo, Do imaginário africano. Os ogros na tradição oral angolana, Leiria, Magno, 2001.

[4] Gil, José, Monstros, Quetzal Editora, Lisboa, (1994:56).

[5] Veja-se o êxito das várias versões do filme Shreck (Shrek. EUA, 2001).

[6] Uma das definições mais elucidativas do lexema cixi é-nos dada em Língua Cokwe: “Cixi: (mu-; a-) ou (mu-; mi-) 1. Dançarino mascarado. (Designação genérica. Antigamente era considerado a encarnação de um espírito [...])”. (Barbosa, Adriano, C., Dicionário de Cokwe-Português, Universidade de Coimbra, Coimbra, 1989, p. 43.

[7] “Monstrum, i, n. termo do vocabulário religioso, prodígio que revela a vontade dos deuses; por conseguinte, objecto ou ser de carácter sobrenatural.” (Ernout, A. & A. Meillet, Dictionnaire Étymologique de La Langue Latine. Histoire des Mots, Klincksieck, Paris, 1939, p. 62

[8] “A tartaruga [...] jogou a cabaça da sabedoria no chão, perto do tronco da árvore, fazendo-a em pedaços. Depois disso a sabedoria do mundo espalhou-se por toda a parte em pequenos bocados, e todos podem encontrar um pouco dela desde que a procurem com muita diligência”. (In “A Tartaruga e a Sabedoria do Mundo” (Nigéria), apud Carey, M., Contos e Lendas da África, S. Paulo, 1981, p. 44).

* Professor no ISCED-Lubango/Universidade Agostinho Neto/Centro de Língua Portuguesa/Instituto Camões.

…dos Ogros…do Fantástico…/ … Ogre’s…Fantastic’s… Gallery

Contemporary Artwork by Mario Tendinha

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Publicado em Artes by casoual em Fevereiro 3rd, 2008

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Imagem: Grace Ndiritu, Still Life: Lying Down Textiles, 2005 - 2007

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Bibliografia pessoal - Para uma história de África (XXII)

Publicado em História, Literatura, Religião by casoual em Fevereiro 3rd, 2008

1 - M’Bokolo, Elikia, África Negra, História e Civilizações, tomo II, Edições Colibri, 2ª ed., Lisboa, 2007, trad. Manuel Resende [do séc. XIX aos nossos dias];

2 - Barros, João de, Décadas I a IV, Régia Officina Typografica, 1777-1788, nova edição, Lisboa, (PDF).

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Subsídios para uma história de Angola - XIV

Publicado em Artes, História by casoual em Fevereiro 3rd, 2008

1 - Pélissier, René, História das Campanhas de Angola, Resistências e Revoltas, 1845-1941, 2 volumes, Editorial Estampa, 2ª ed., 1997, trad. de Manuel Ruas:

2 - Cadornega, António de Oliveira, História Geral das Guerras Angolanas, 1680, anot. e corr. de José Matias Delgado, 3 vol., Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1972, rep. fac-similada da edição de 1940;

3 - Torres, Adelino, Angola: Conflitos Políticos e Sistema Social (1928-30) (PDF);

4 - Sculpture Angolaise, Mémorial de Cultures, Catálogo da Exposição realizada no Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Março/Junho de 1994: 1ª parte; 2ª parte.

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Literatura Colonial Portuguesa

Publicado em Literatura by casoual em Janeiro 28th, 2008

Em construção no Blog da Rua Nove.

P.S.: blogue, entretanto, infelizmente encerrado.

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Bibliografia pessoal - Para uma história de África (XXI)

Publicado em Ciência(s), História, Lugares, Política by casoual em Dezembro 20th, 2007

1 - Memória de cinco séculos da presença de Portugal no Mundo, vídeo de Maria Luisa Abrantes, José Sintra Martinheira e Miguel Infante, realização de Elisa Antunes e produção da Universidade Aberta e Arquivo Histórico Ultramarino

2 - Iconoteca, vários

3 - Cartoteca, vários

4 - Vídeos (com guião em PDF) da Missão Antropológica de Angola

5 - Andrade, Elisa, Cabo Verde: Do Seu Achamento à Independência Nacional - Breve Resenha Histórica

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Subsídios para uma história de Angola - XIII

Publicado em História by casoual em Dezembro 20th, 2007

1 - Castelo, Cláudia, Passagens para África: o povoamento de Angola e Moçambique com naturais da metrópole (1920-1974); e O modo português de estar no mundo : o luso-tropicalismo e a ideologia colonial portuguesa (1933-1961)

2 - Pimenta, Fernando, Ideologia Nacional dos Brancos Angolanos (1900-1975) (PDF)

3 - Pélissier, René, História das campanhas de Angola: resistência e revolta (1845-1941), 2 vol.

4 - Rodrigues, Luís Nuno, About-Face: The United States and Portuguese Colonialism in 1961, e-JPH, Vol. 2, number 1, 2004

5 - Labode, Modupe, “A Native Knowa A Native”: African American Missionaries’ Writings about Angola, 1919-1940, The North Star, Vol. 4, number 1, 2000

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Bibliografia pessoal - Para uma história de África (XX)

Publicado em História by casoual em Dezembro 20th, 2007
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Representações ou Alegorias da África (XX)

Publicado em Artes by casoual em Dezembro 2nd, 2007

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Imagem: Charles Le Brun, L’Afrique, séc. XVII

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A série documental da RTP: «A Guerra»

Publicado em História, Política by casoual em Novembro 28th, 2007

1º ep.

2º ep.

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«La Croisière Noire» - IV

Publicado em Lugares by casoual em Novembro 26th, 2007

O percurso:

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«La Croisière Noire» - III

Publicado em Artes, Ciência(s), História, Lugares, Política by casoual em Novembro 23rd, 2007

Na viagem participou, entre outros, o artista Alexandre Iacovlef (1887-1938), pintor russo que imigrara para Paris depois de uma longa estada na China, com a incumbência de «fixar através do desenho, os usos e costumes indígenas em vias de desaparecimento.» Tal como os grandes desenhadores que acompanhavam as expedições no séc. XIX, Iacovlef torna-se assim, ao mesmo tempo, artista, etnólogo e antropólogo.

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A 1 de Outubro de 1926, é inaugurada no Louvre a «Exposition de la Croisière Noire», onde são apresentadas cerca de 700 peças, entre objectos de uso corrente ou de culto, troféus cinegéticos, etc.

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Imagens: cavaleiros Djerma; rapariga Bornou (Fort Lamy); Gadem, caçador de elefantes (Birao); e antílope hipotrago (Am Dafok)

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«La Croisière Noire» - II

Publicado em Cinema, História, Lugares, Política by casoual em Novembro 22nd, 2007

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No regresso da expedição, o material recolhido é impressionante e constitui um maná para a etnologia francesa: cerca de 3 900 objectos, 2 000 fotografias e 27 000 metros de película (representando mais de três dezenas de documentários científicos rodados por Léon Poirier, encarregado de mostrar «cenas da vida indígena». A 2 de Março de 1926, com a presença das mais altas autoridades da República, o filme «Journal cinématographique de l’expédition», que correu mundo, é projectado na Opéra Garnier.
Léon Poirier, que haveria de voltar a África por mais duas vezes - ao Saara, para rodar um filme dedicado à vida de Charles de Foucaud, L’Appel du Silence, e à floresta equatorial do Congo e do Gabão para realizar Brazza ou l’épopée du Congo, a história da luta travada entre Savorgan de Brazza e Stanley na conquista de África, adoptando o primeiro uma atitude pacifista, ao passo que o segundo não hesita em recorrer à violência de uma forma quase sistemática, ou seja, a luta que opõe dois contendores, os da colonização francesa e os da colonização inglesa -, comentou deste modo a expedição: «Tudo evolui, tudo muda, tudo se transforma, ou melhor, parece transformar-se, pois a natureza humana continua a mesma, e o homem que se veste mais não faz que camuflar o homem nu.»

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«La Croisière Noire» - I

Publicado em Ciência(s), História, Lugares, Política by casoual em Outubro 27th, 2007

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De 28 de Outubro de 1924 a 26 de Junho de 1925, e na sequência do êxito da 1ª travessia do Saara em automóvel, de Dezembro de 1922 a Março de 1923, André Citroën soube, no contexto da política colonial da época, dar um verdadeiro golpe de génio com esta expedição, também conhecida por Citroën-Centre-Afrique, publicitando e projectando a sua marca mundialmente. A aventura partiu de Colomb-Béchar e ligou as colónias da África Ocidental Francesa a Madagáscar, num percurso de cerca de 25 000 quilómetros, um verdadeiro romance de aventuras para o público ocidental ávido de mistério e de exotismo - o deserto, a savana, a selva, os cursos de água e os nativos - mas também um acontecimento importante a nível económico, artístico e científico.

Os próprios nomes dos carros-lagartas revelam o espírito do empreendimento: o Scarabée d’or, que transportava as cartas, as armas e os documentos, o Eléphant à la tour os arquivos e a tesouraria, o Soleil en marche e o Escargot ailé dedicados à parte cinematográfica. O segundo grupo era constituído pelo Croissant d’argent, conduzido pelo mecânico-chefe, o Colombe, que levava o material médico e as provisões, o Centaure, onde ia instalado o célebre artista Alexandre Iacovleff , e o Pégase.

Em Portugal, realiza-se em 1924 o II Congresso Colonial Nacional, começa a ser publicada a Athena, dirigida por Fernando Pessoa; em 1925, é publicada a História de Arzila, de David Lopes e Bernardino Machado torna-se, pela segunda vez, presidente da República. Os nossos raides só surgiriam muito mais tarde, em 1955, por uma perda amorosa de Fernando Laidley ao volante de um carocha.
Imagem: La croisière noire, Citröen

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«Ah, isso é coisa de pretos.»

Publicado em História, Literatura, Política by casoual em Outubro 25th, 2007

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Entrevista para a história da literatura, e não só, de Angola, de Óscar Ribas, nascido em Luanda em 1909, filho do português Arnaldo Gonçalves Ribas e de Maria da Conceição Bento Faria, natural de Luanda, considerado o fundador da da moderna ficção angolana, depois do precursor António de Assis Júnior, realizada por Luís Kandjimbo. Termina com esta deliciosa anedota: « Ora, eu vou relatar, mas isto é real. Um dia era um casal … foram ao veterinário com o seu cão, e o veterinário perguntou, “como é que o seu cão se chama?”, “a vida do preto”, diz ele “como?”, “a vida do preto” … “sim preto e cão, eu e preto tudo a mesma coisa”. … também tenho instantâneos da vida negra, tem coisas interessantes que fazem rir, não é.» A ler aqui.

E ainda Raúl David, escritor nascido em 1918 na Ganda, Angola, na linha da narrativa-testemunho, aqui, onde se fala da deportação do pai para S. Tomé, dos «atestados de assimilação» e de muitas outras coisas mais.

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Angola - Nova Capital?

Publicado em Artes, Política by casoual em Outubro 25th, 2007

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Sabia-se do projecto de Troufa Real, que teria o nome de «Angólia».

Agora fala-se do arquitecto Oscar Niemeyer, que teria, segundo esta notícia da revista Veja, «sido sondado pelo governo de Angola para elaborar o projeto da nova capital daquele país. Niemeyer aceitou o convite. Os angolanos disseram ao arquiteto que pretendem criar do nada uma cidade de 2 milhões de habitantes, quatro vezes maior do que Brasília, onde Niemeyer construiu alguns de seus edifícios mais conhecidos. Depois de trabalhar na capital nacional, ele chegou a elaborar nos anos 60 o projeto para uma cidade no deserto israelense de Neguev, mas ela nunca saiu do papel. Animado, Niemeyer espera os mapas da região da futura capital de Angola para começar a trabalhar.»

Imagem: maquete para a nova capital ”Angólia”

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Instrumentos tradicionais (7) - Os lamelofones

Publicado em Música e dança by casoual em Agosto 15th, 2007

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Lamelofones do Museu Nacional de Etnologia, (Angola e Moçambique) com texto de apoio à exposição «Na Ponta dos Dedos» (PDF)

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Têxteis e Padrões de África - II (Mali)

Publicado em Artes by casoual em Agosto 12th, 2007

This is my Bògòlanfini:

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Make your Bògòlanfini

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Sabores de África - II (Camarões)

Publicado em Sabores by casoual em Agosto 11th, 2007

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«Le “Foufou de manioc”: pour préparer le foufou, il faut éplucher, laver et râper les racines puis les laisser fermenter pendant deux ou trois jours. Mélanger ensuite le foufou cru dans un litre d’eau froide pour obtenir une pâte fluide. Puis tamiser et laisser reposer 30 minutes pour obtenir une pâte lisse et plus épaisse. Après avoir ajouté une tasse d’eau, faire cuire en remuant pour aplanir le mélange contre les bords de la casserole et supprimer les grumeaux. Enfin, lorsque le foufou est prêt, sa couleur passe au blanc opaque: alors, en faire des ‘’boulettes’’ et servir chaud avec de la soupe de gombo.» in Restaurant

Imagem: raízes de mandioca

Crioulidades - VI

Publicado em Ciência(s), Literatura by casoual em Agosto 9th, 2007

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João Vário (1937- Julho de 2007)
Há muito passado no estar aqui com o tempo,
Fim e reconhecimento, e não sofrendo nada mais do que o tempo concede,

Fim de novo e reconhecimento de novo
E tudo é crime, ou crime sempre, crime ou crime,
Criminosissimamente crime,
Quando arriscamos a intensidade, comemorando.
[...]
Depois, depois faremos ou fará o tempo, por sua vez,
Aquele blasfemissimo comentário,
E então consta que amámos.

(Exemplo geral, 1966)

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Holden Roberto

Publicado em Política by casoual em Agosto 9th, 2007

1923 - 2007
Presidente da FNLA, Frente Nacional de Libertação de Angola, uma frente nascida da união da UPA, União dos Povos do Norte de Angola, de que foi um dos principais líderes, e do PDA, Partido Democrático Angolano, de Emanuel Kuinzica.

Em Angola: Depoimentos para a História Recente, 1950-1976, ed. dos autores, 1º vol., 1ª ed., s/l, s/d (dep. legal em 99) [22 entrevistas], há um curioso e interessante depoimento do próprio Holden, nomeadamente sobre o seu nome e sobre a sua participação na história da luta de libertação.

Adenda: de ler este verdadeiro«acontecimento histórico-militar», acompanhado pelos Led Zeppelin, por Rui Bebiano.

hroberto.jpg

Imagem: Holden Roberto, ao centro, no norte de Angola em 1975

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